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Laura, a robô brasileira que já salvou milhares de vidas


Levantamento feito por cientista de dados mostra que a inteligência artificial auxiliou equipe médica a salvar mais de 9 mil pessoas em 822 dias de funcionamento

Por: Anderson Cruz Rabelo - Comunicação MHZ


O projeto nasceu da dor de um pai que perdeu a filha para a sepse aos 18 dias de

vida e tem no nome a homenagem a ela. "A Laura, com toda a vida que tinha

naqueles 28 centímetros de altura e 440 gramas, deixou a inspiração para que eu

tivesse, mesmo nas piores condições, força para impactar a vida de outras pessoas.

Nossa equipe leva hoje pra casa o saldo de dez vidas salvas todos os dias", diz o

arquiteto de sistemas Jacson Fressatto, pai e CEO da Laura.


Sobre a Laura

A Laura é uma tecnologia inovadora implantada nos hospitais para identificação

precoce dos riscos de infecção grave, a Sepse. O recurso, criado pelo arquiteto de

sistemas Jac Fressatto após a morte de sua filha, usa a inteligência artificial e a

tecnologia cognitiva para fazer o gerenciamento de dados da rotina do hospital e

emitir alertas. Ativa desde 2016, a Laura já teve cerca de 1,2 milhão de pacientes

conectados e reduziu em 25% a taxa de mortalidade hospitalar. Além de salvar

vidas, a tecnologia é um instrumento para otimização de tempo e recursos em

saúde. Uma das metas da startup é atingir o mercado internacional, salvar milhares de vidas com as soluções para a área médica e como motor de AI para diversos segmentos do mercado.


A startup pretende institucionalizar a solução para hospitais filantrópicos e públicos e continuar fechando grandes parcerias para chegar a 100 hospitais ainda este ano. Nos demais segmentos, estão pilotando quatro soluções diversas, justamente para entender em qual focar comercialmente. Este ano, Jac garante que irá mudar a estrutura societária e captar investimentos de grande porte.

Muitos pensam que a principal necessidade de uma startup como essa são investimentos mas Jacson diz que no caso da Laura, organização é o mais importante: " Diferente do que se pensa, não é o dinheiro a primeira necessidade. Se você tiver recursos mas não souber usá-los e não estiver organizado para explorar toda a capacidade de sua empresa, vai colocar muita a coisa a perder."



A tecnologia que revoluciona o setor da saúde:


A Laura, primeiro robô gerenciador de riscos do mundo, já é responsável por ajudar a salvar dez vidas por dia. São mais de 9 mil pessoas que, desde 2016, ganharam a oportunidade de um recomeço com o uso da inteligência artificial na governança dos atendimentos hospitalares.


Graças à Laura, a história da pequena Bianca teve um final diferente. Em 2018, ela

veio ao mundo quando a mãe ainda estava com 27 semanas de gestação. Com a

saúde frágil, a recém-nascida teve hemorragia pulmonar e sepse tardia (quando a

infecção manifesta-se após 72 horas de vida). “Foi uma situação bem difícil porque

ela teve várias paradas respiratórias, além de pneumonia. O que me dava segurança

era saber que o hospital tinha o monitoramento do Robô Laura, que gerou alertas

para que a equipe de enfermagem checasse o estado da minha filha”, conta a mãe

Jéssica Amaral. Bianca recebeu alta depois de 77 dias e hoje esbanja saúde. “É

muito bom saber que a tecnologia está sendo usada para salvar vidas, ainda mais

porque o Robô Laura foi criado a partir de uma história com a qual eu me identifiquei

muito”, afirma Jéssica.


O levantamento


Para calcular o número de dez vidas salvas por dia foram necessárias três etapas.

Primeiro, foram selecionados os pacientes monitorados pela Laura em cinco

hospitais, de outubro de 2016 (quando começou a funcionar) a dezembro de 2018. A

partir desse levantamento, foram identificados os pacientes que receberam, pelo

menos, um alerta gerado pelo Robô Laura que tenha resultado em abertura de

protocolo de sepse e/ou prescrição de antibiótico. Desses pacientes, os que

receberam alta foram considerados salvos com a ajuda da Laura. Em todo o período

analisado (822 dias), 9.029 pessoas foram salvas, ou, em média, dez vidas por dia.

O levantamento foi feito pelo cientista de dados da Laura, Felipe Barletta, que é

estatístico e mestre em Bioestatística pela Universidade Estadual de Maringá (UEM).

"Esse é um avanço na análise de inteligência artificial no setor hospitalar. Com a

expansão da Laura para outras instituições, nossa expertise e capacidade de gerar

informações só vai aumentar”, comenta Barletta. Hoje, a tecnologia da Laura

funciona em seis hospitais do Paraná e de Minas Gerais. Também está em fase de

implantação na Santa Casa de Porto Alegre (RS) e no hospital A.C.Camargo, em São

Paulo.


“O hospital é um ambiente complexo e as informações essenciais para a tomada de

decisão encontram-se, geralmente, dispersas e desconectadas. O que esses

números demonstram é que o Robô Laura conseguiu conectar os dados e

transformá-los em ações por meio do uso de inteligência artificial. O Robô Laura

empodera a equipe assistencial e melhora os fluxos de atendimento do paciente

hospitalizado, resultando em vidas salvas. Quanto mais precoce o tratamento,

maiores são as chances de melhora do paciente”, esclarece o diretor médico da

Laura, Hugo Morales.

Sobre as dificuldades de se ter uma startup voltada para a saúde no Brasil, Jacson diz que isso impulsiona toda sua equipe a desenvolver um trabalho ainda melhor: "Existem poucos incentivos na área, mas são estas dificuldades que mostra que precisamos sempre nos ajustar e melhorar, atingir o estado da arte para levar o projeto Laura para o mundo."





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